Calling doctor John

-Eu desisto, doutor.

-Desiste de quê?

-Da vida. De tentar entender, de tentar explicar. Num mundo em que todo mundo vive como se fosse personagem de cinema, o jeito que eu vivo não faz sentido. Esse mundo não é pra mim.

-O que você quer dizer com isso?

-O que você acha que eu quero dizer com isso?

Existe sempre um medo no tom sério nesse consultório. É uma casa de madeira e as paredes são finas. Ao lado do consultório já fica a sala de espera, não foram poucas as pessoas que depois de chorar os problemas para o doutor encontraram a última coisa que gostariam do lado de fora: rostos piedosos. Compaixão de doentes.

-O que eu quero dizer, doutor, é que as pessoas dificultam tudo! Por que precisam dificultar tudo desse jeito? Aliás, para todo mundo é assim tão difícil simplesmente existir?

-Sim, para todo mundo. Só que a maioria das pessoas arranja outras atividades para sublimar essa angustia.

-Isso não dá certo pra mim, cara.
-Por que não?

-Porque eu sei o que estou tentando fazer, então não adianta nada! E, sério, eu não tenho que resolver minha angustia, quem tem que mudar é o mundo! Não precisava ser desse jeito, essa parada rasa, essa vida medíocre! Parece que as pessoas tentam viver como personagens de cinema, como personagens de livros e são todos tão rasos, todos tão imutáveis, parece que essa rigidez é necessária pra existir no tempo, mas não é!

-Tá – o médico dá um soco simbólico na mesa – o que realmente aconteceu?

O médico tem um rosto curioso. Ele sempre parece extremamente enfadado com tudo e os paciêntes, depois de um tempo, passam a acreditar, para o bem da própria sanidade deles, que esse é o jeito dele e que na verdade, no fundo, por trás dessa aura de distância, ele é uma pessoa super preocupada. Afinal de contas o cara é psiquiatra! Por que diabos ele atenderia os outros de graça se não se importasse?

- O que aconteceu é que as pessoas erram, cara! E eu não consigo entender porque os erros tem que ficar para sempre como uma grande bola de dor e sofrimento no tempo! Por que eu tenho que aprender com os meus erros para ir errar em outro lugar? Errar faz parte de existir! Muito antes do Descartes falar em “Penso, logo existo” o Santo Agostinho já dizia “Erro, logo existo”!

-Mas o que aconteceu?

O médico tem o jeito de andar da criança-nada. Ele não tem o peito aberto do valentão, nem os ombros caídos do CDF que apanhava todos os dias. Ele tem os ombros caídos o suficiente para ser desajeitado, um jeito curioso de se vestir. Ar de quem viveu a vida toda na cidade e jeito de quem acabou de vir do interior. Óculos moderninho, mas camisa social xadrez. De manga curta.

-O que aconteceu foi o amor, doutor, sempre ele. Aliás, não o amor propriamente dito, mas essa incapacidade absoluta de se entender que todos tem até foderem-se completamente.  Isso geralmente faz parte de amar. Você encontra uma garota legal e aí você junta a sua burrice com os erros dela e vocês se machucam e fingem que se perdoam e depois se machucam mais até que chega uma hora em que não dá mais. Aí vocês terminam. Você sofre por dias, semanas, meses, anos, a vida inteira, às vezes, mas aprende, invariavelmente você aprende alguma coisa. Você começa a entender as coisas que deram errado, começa a pensar “Poxa, se eu tivesse sido mais doce” ou “Se eu tivesse lembrado mais daquela data” ou “Se eu tivesse me esforçado mais para me expressar”. E essas coisas todas fazem sentido. E ela faz isso também, por óbvio. E aí, eu me pergunto, doutor, o que sobra disso? Porque vivemos nossas vidas juntos e erramos e nos matamos e depois que aprendemos tudo o que restou é a dor. Aliás, tudo o que restou foram os bons momentos e os arrependimentos. E aí um dia você a encontra no elevador ou vê que ela, subitamente, ficou online no MSN depois de um tempão. E vocês saem para um café e o cheiro dela continua fantástico, a pele dela continua sendo a melhor coisa que você já tocou, você lembra da boca dela como se ainda a beijasse pela primeira vez, o cabelo está diferente, mas o jeito de andar ainda é só dela. E aí você pensa “Por que não?”

-Porque não.

-Mas POR QUE “porque não”? Os budistas dizem: “um homem nunca passa duas vezes pelo mesmo rio”, porque o rio nunca para de correr, então aquele não é o mesmo rio, e o homem nunca para de mudar então aquele não é o mesmo homem. Então por que não? Se ela aprendeu com os erros dela, eu aprendi com os meus, somos pessoas melhores hoje, somos pessoas mais capazes, pessoas melhores, talvez, por que não? A vida não é cinema! As pessoas mudam! As pessoas mudam e podem passar por cima de seus problemas. A gente nunca esquece o que aconteceu, mas você pode passar por cima dessas coisas, pode-se mudar! Evoluir! Por que esse processo tão doloroso e horrível de errar e se transformar tem que ser “bonificado” com simples dor, sofrimento, mágoa, arrependimento?

-Porque às vezes não dá!

-Mas isso não faz sentido!

O médico respirou por um momento, ele esteve concentrado enquanto o paciente falava, parecia formular ideias para dar um bom golpe naquela conversa.

-Veja, antes de estar com a minha atual esposa eu tive que terminar com a minha ex. Ela ficou super transtornada: furou os pneus do meu carro, colocou cola na fechadura. Eu tive que fazer minha escolha: ou eu voltava com ela ou seguia a diante. Eu mandei arrumar os pneus do meu carro, a fechadura… Mas você acha que eu não tenho vontade de falar com ela até hoje? De saber como ela está, se ela está feliz. Mas eu fiz a minha escolha.

-Mas essa aí era uma maluca, né doutor.

-Não, não. Alguém completamente são só precisa ter um dia ruim para ter um surto psicótico. Mas eu tive que fazer a minha escolha.

-Tudo bem, eu só não acredito na sua escolha. O não você já tem, doutor! Quando uma situação dessas está posta o não você já tem! Não custa NADA, porque o não você já tem, você já está preso no não.

-Mas às vezes o não é necessário. E cada escolha, cada “sim” tem um não associado. E pode simplesmente dar um “não” ainda maior.

-Eu sei que cada escolha tem um não, doutor, mas o que me importa não é o “não” ou o “sim”, é o simples perguntar. O que me mata é a dúvida, o que me mata é essa visão de que a gente tem que ser essas criaturas imutáveis, essa ideia de “A gente não dá certo, não tem jeito”. Como assim a vida não dá certo? Esse é um mundo tão rico e plural, como assim alguém não pode se adaptar, não pode se encaixar para algo dar certo?

-Mas às vezes as pessoas podem mudar.

-Nisso eu não posso acreditar. Porque eu acredito num mundo que muda, eu acredito em pessoas que lutam, eu acredito, e foda-se se estou sendo piegas, eu acredito no poder transformador do amor. Eu acredito que as pessoas podem mudar se elas quiserem, eu acredito que as pessoas podem ser transformadas pelas suas experiências, pela sua existência como ser-no-tempo ou ser-histórico ou sei lá. Se eu não puder acreditar nisso, se eu não puder mais acreditar em sonhos e que as pessoas mudam eu não poderei mais acreditar em mim, eu não serei eu, eu deixo de ser, a parte mais fundante de mim desaparece. E isso simplesmente não vai acontecer.

O médico nesse meio tempo escrevia as receitas pensativo.

-E é por isso que eu não vou me encaixar, doutor. Eu tenho consciência disso, eu simplesmente desisti de tentar, sei lá, ser feliz. Eu sei que isso aí as pessoas não vão fazer, eu não sei verdadeiramente se é o cinema e a literatura que fizeram isso, mas certamente existe esse pensamento, essa estagnação. E eu não me encaixo nisso, por mais adaptável que eu seja.

Entregou as receitas.

-Mas continue pensando nisso.

-Pensando no que?

-Nisso.

-Nisso o que?

-Na vida. No sentido das coisas.

-Ah.

-E não faça bobagens.

-Hehe, achei que era isso.

-E arranje algo pra sublimar isso, estudar, escrever…

-Não vai funcionar, doutor. Minha vida acadêmica nunca esteve tão boa e eu sei, a cada linha que leio, cada linha que escrevo, o que eu verdadeiramente estou fazendo.

-Bom. De qualquer forma, continue pensando nisso. Até dia 20, então?

Levantaram.

-Até dia 20.

O paciente saiu e o médico sentou-se, balançou a cabeça e preparou-se para o próximo paciente. Num dia normal atendia cinco ou seis pessoas, nas sextas-feiras era mais agitado. Aquele era o quarto paciente do dia e sempre tinha esse jeito estranho de conversar.

O dia se arrastou e às 18:00 terminou de arrumar suas coisas, foi até o carro e reparou no bonito céu de baunilha que a cidade tem a essa hora durante esses meses do ano. Talvez tivesse o ano todo, mas o resto do ano só chove. Deu a partida e foi para casa sem grandes desvios. Colocou o carro na garagem, subiu o elevador, abriu a porta, deixou a chave no cesto de chaves perto da porta, carteira em cima da mesa, papéis e pastas no armário. Foi tomar um banho – sua esposa só chegaria em mais duas horas. Inventou uma desculpa, pegou o celular e ligou para alguns amigos pra ver se ainda tinham o número: uma amiga da faculdade tinha. Discou os números, caixa postal, desligou. Últimas chamadas, chamar. Caixa postal.

-Alô, Ana? Oi, é, sou eu, eu só… Bom, eu sei que faz tempo, mas eu só queria saber como você está, se você está bem. Bom, é isso aí, abraço. Se cuide.

 

 

*Edição e participação especial da Ximena! :D

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Guerra Civil Marvel

CivilWar 

Como não posso colocar o link direto pro 4Shared no Facebook vou colocar aqui.

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Sobre escrever

Charles Bukowski, portrait by italian artist G...

Image via Wikipedia

A gente se mete a escrever A gente se mete a escrever porque não foi capaz de bater num motorista que nos afrontou na rua, porque não quebrou pratos num restaurante, porque não enfrentou um policial louco que xingou sua namorada, porque não cuspiu num professor que dizia que a Terra é redonda, porque deixou que pegassem seu lugar na fila do cinema, porque não tem ofício nem benefício, porque pensa que é uma forma fácil de fazer fama e dinheiro, porque se paspalhos como García Márquez e Mutis fazem isso, a gente também pode fazer, porque não é bom em matemática, porque não quer ser médico nem advogado, porque está irado, porque odeia as pessoas e quer insultá-las. A gente se mete a escrever porque uma garota linda lhe disse que gostava de escritores, porque precisa de um álibi para não trabalhar, porque isso o faz sentir-se superior, porque leu uns romances de caubóis e quer entrar na concorrência, porque é um caubói sem Oeste, porque escriturários como Vargas Llosa o fazem, porque não tem voz, porque não tem ritmo, porque está farto de bater punheta, porque quer trepar com uma mulher mas não sabe como, porque pensa que tem alguma coisa a dizer, porque descobre que as garotas bonitas dizem que os escritores são ternos mas saem com mafiosos, porque não deixam dar um amasso na ganhadora do concurso nacional de beleza, porque é magro e não tem remédio, porque tem medo de morrer sem ter metido numa garota linda, porque se um puxa-saco hipócrita como Vargas Llosa escreve qualquer um pode fazê-lo, porque sabe que o cinema é tempo perdido, porque tem inveja dos micos que aparecem na tela e ganham milhões, porque na falta de melhores oportunidades quer ser como Bukowski. A gente se mete a escrever porque não sabe lutar boxe nem tem colhões para isso, porque tem os dentes tortos e não pode sorrir como gostaria, porque para os impotentes de todo tipo não há outro caminho, porque todos os feios escrevem ou assassinam e a gente não é capaz de matar nem uma mosca, porque escrever dá importância, porque para chamarem alguém de escritor não é preciso escrever bem, mas para chamarem de filho-da-puta não importa se sua mãe é uma santa, porque tem medo de ficar à deriva sem fazer nada, porque não pode beber toda noite, porque ama a Deus mas odeia as sociedades sem fins lucrativos, porque não tem namorada, porque não há emoções mas insultos, porque na sua casa não tem televisão e o rádio quebrou, porque a mulher do vizinho é gostosa, porque tem medo de ficar careca e por isso evita os espelhos. A gente se mete a escrever porque não se atreve a assaltar um supermercado, porque ama a mulher e ela é namorada do garoto esperto da rua, porque não há revistas pornográficas suficientes, porque quer fazer alguma coisa além de cagar e se masturbar, porque não é o garoto esperto da rua nem o garoto forte nem o engraçado, porque é o garoto nada, porque não vale um tostão furado, porque apanha lá fora, porque sua mãe grita o tempo todo, porque não há ilusões nem luz no fim do túnel, porque sua mãe grita o tempo todo, porque sua mente voa baixo e nunca será outro Cioran, porque não tem coragem para saltar, porque não quer a esposa feia que merece, porque tem medo de morrer sem ter comido um belo cuzinho, porque não tem pai, amigos, nem fortuna, porque não tem o jeito de cuspir do Clint Eastwood, porque se paralisa entre uma e outra intenção, porque era uma vez o amor mas eu tive que matá-lo. O bom é que escrever não serve para nada daquilo que a gente quer. Escrever é um limite, uma dor, um defeito a mais. O bom é que depois de escrever a gente se sente péssimo. Nada mudou, tudo continua no seu lugar (menos você, maldito cabelo), Pelé não volta para o campo. O ruim é que você escreve e o Pambelé cai na lona espancado por um gringo, um maldito gringo que esteve preso por bater na mãe. O ruim é que Pambelé não é a mãe do gringo e – por mais que você escreva – continua caído. O bom é que você escreve e continua sonhando com a mulher do vizinho, sonha que a agarra pelas orelhas e crava-lhe a rola. O ruim é que escrever não cura seus desejos assassino, que assaltar um supermercado continua sendo o seu objetivo impossível. O ruim é que ainda deseja um amor inesquecível. O bom é que escrever é outra forma de cagar e se masturbar. O ruim é que você lê os grandes autores mas só Bukowski lhe diz alguma coisa. O ruim é que um dia a garota bonita toma conhecimento que você escreve e não deixa que lhe meta fundo, até o outro lado da morte. O ruim é que escrever serve para tudo aquilo que você não quer.

- Oi, mãe.

- OH MEU DEUS, Rep: o seu sapato está SUJO DE MERDA.

- Não grite, vou limpar o chão.

- Saia daí, VOLTE POR ONDE VEIO.

- Tá bom, mamãe, mas não grite.

- NÃO ESTOU GRITANDO.

Efraim Medina Reyes em seu livro “Era uma vez o amor mas tive que matá-lo”.

Agradecimentos à Renata Baralle por ter me apresentado o autor.

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Porqué Cantamos

Anarquía

Si cada hora vino con su muerte,
si el tiempo era una cueva de ladrones,
los aires ya no son tan buenos aires,
la vida nada más que un blanco móvil
Usted preguntará por qué cantamos…

Si los nuestros quedan sin abrazo,
la patria casi muerta de tristeza,
y el corazón del hombre se hizo añicos
antes de que estallara la vergüenza
Usted preguntará por qué cantamos…

Si fuimos lejos como un horizonte,
si aquí quedaron árboles y cielo,
si cada noche siempre era una ausencia
y cada despertar un desencuentro
Usted preguntará por qué cantamos…

Cantamos porque el río está sonando,
y cuando el río suena suena el río.
Cantamos porque el cruel no tiene nombre
y en cambio tiene nombre su destino.
Cantamos porque el niño y porque todo
y porque algún futuro y porque el pueblo.
Cantamos porque los sobrevivientes
y nuestros muertos quieren que cantemos.

Cantamos porque el grito no es bastante
y no es bastante el llanto, ni la bronca.
Cantamos porque creemos en la gente
y porque venceremos la derrota.

Cantamos porque el Sol nos reconoce
y porque el campo huele a primavera
y porque en este tallo, en aquel fruto
cada pregunta tiene su respuesta…

Cantamos porque llueve sobre el surco
y somos militantes de la Vida
y porque no podemos, ni queremos
dejar que la canción se haga cenizas.

Se cada hora vem com sua morte
se o tempo é um covil de ladrões
os ares já não são tão bons ares
e a vida é nada mais que um alvo móvel

você perguntará por que cantamos

se nossos bravos ficam sem abraço
a pátria está morrendo de tristeza
e o coração do homem se fez cacos
antes mesmo de explodir a vergonha

você perguntará por que cantamos

se estamos longe como um horizonte
se lá ficaram as árvores e céu
se cada noite é sempre alguma ausência
e cada despertar um desencontro

você perguntará por que cantamos

cantamos porque o rio esta soando
e quando soa o rio / soa o rio
cantamos porque o cruel não tem nome
embora tenha nome seu destino

cantamos pela infância e porque tudo
e porque algum futuro e porque o povo
cantamos porque os sobreviventes
e nossos mortos querem que cantemos

cantamos porque o grito só não basta
e já não basta o pranto nem a raiva
cantamos porque cremos nessa gente
e porque superaremos a derrota

cantamos porque o sol nos reconhece
e porque o campo cheira a primavera
e porque nesse talo e lá no fruto
cada pergunta tem a sua resposta

cantamos porque chove sobre o sulco
e somos militantes desta vida
e porque não podemos nem queremos
deixar que a canção se torne cinzas.

 Letra: Mario Benedetti

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Vôo.

Marcire in manicomio

Image by Funky64 (www.lucarossato.com) via Flickr

Eu queria ter tido a consciência ainda na infância de que todas as autoridades repressoras a minha volta só tem o sentido que é dado por mim. Se eu soubesse naquela época o que eu sei hoje eu poderia ter dito inúmeras vezes para todas aquelas pessoas, aqueles pais, aqueles professores e aqueles “amigos” de direita que tentaram inutilmente me colocar na caixinha de moral, bons costumes, vida pequena, pacata, acomodada e inútil:

“Não, você não vai conseguir! Você pode me castigar, você pode me bater, pode me trancar no quarto, me deixar sem comer, pode me deixar sem TV, sem video-game, sem amigos, sem o que quiser. Todas essas privações não podem mudar o fato que eu estou certo e você está errado. E por mais que todas essas coisas doam e por mais ridículo, sem sentido, louco e idiota que você queira me fazer parecer, você é incapaz de me punir porque EU SOU LIVRE.”

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Raio de cor específica de azul

Azure Ray

Image by Florian Eckerstorfer via Flickr

Como eu não achei nenhuma tradução decente dessa música eu atualizei no site do vagalume, aqui. Mas como eu sei que amanhã alguma idiota vai retraduzir tudo errado vou postar aqui também:

 

 

Azure Ray – November

So I’m waiting for this test to end
So these lighter days can soon begin
I’ll be alone but maybe more carefree
Like a kite that floats so effortlessly
I was afraid to be alone
Now I’m scared thats how I’d like to be
All these faces none the same
How can there be so many personalities
So many lifeless empty hands
So many hearts in great demand
And now my sorrow seems so far away
Until I’m taken by these bolts of pain
But I turn them off and tuck them away
’till these rainy days that make them stay
And then I’ll cry so hard to these sad songs
And the words still ring, once here now gone
And they echo through my head everyday
And I dont think they’ll ever go away
Just like thinking of your childhood home
But we cant go back we’re on our own
Oh,
But i’m about to give this one more shot
And find it in myself
I’ll find it in myself
So were speeding towards that time of year
To the day that marks that you’re not here
And i think I’ll want to be alone
So please understand if I dont answer the phone
I’ll just sit and stare at my deep blue walls
Until I can see nothing at all
Only particles some fast some slow
All my eyes can see is all I know
Ohh..
But I’m about to give this one more shot
And find it in myself
I’ll find it in myself

Então eu estou esperando por o final desse teste

Então estas dias mais brilhantes podem chegar em breve

Eu estarei sozinha mas talvez mais despreocupada

Como uma pipa que voa tão sem esforço

Eu estava com medo de estar sozinha

Agora eu tenho medo que seja assim que eu gostaria de estar

Todas esses rostos, nenhum é igual

Como pode ter tantas personalidades?

Tantas mãos vazias e sem vida

Tantos corações numa grande procura

E agora minha tristeza pareça tão distante

Até eu ser levada por estes raios de dor

Mas eu os ignoro e os escondo

Até esses dias chuvosos que fazem eles ficarem

E então eu irei chorar muito para essas músicas tristes

E essas palavras continuam a soar de vez em quando

E elas ecoam em minha mente todos os dias

E eu acho que elas não irão embora nunca

É como pensar na sua casa da infância

Mas nós não podemos voltar, Nós estamos por conta própria

Oh,

Mas eu estou prestes a dar mais uma chance

E achar isso em mim

Eu acharei isso em mim

Então estamos nos aproximando dessa época do ano

Ao dia que marca você não estar aqui

E eu acho que vou querer estar sozinha

Então por favor entenda se eu não atender o telefone

Eu irei apenas sentar e permanecer na profundidade das minhas paredes azul escuro*

Até que eu não consiga ver nada

Só partículas, algumas rápidas, algumas lentas

Tudo que meus olhos podem ver é tudo que eu sei

Mas eu estou prestes a dar mais uma chance

E achar isso em mim

Eu acharei isso em mim

 

*Nessa parte eu divirjo da Ximena. Ela diz que eu devo traduzir como “Paredes azul escuro”, mas eu acredito que isso seja uma metáfora para “ficar fazendo nada, curtindo a depressão” por causa da palavra blues ali. Já deu pra ver quem ganhou, né?*

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